terça-feira, 27 de março de 2007

Predadores

Como todo ser na natureza tem seus predadores naturais, não seria diferente com as abelhas.
Um dos maiores predadores das nossas abelhas nativas é o próprio homem, que indiscriminadamente destroe nossas matas, através de derrubadas e ao mesmo tempo incendiando-as o que, por conseqüência eliminam as espécies de árvores, cujos troncos de maior diâmetro e com ocos em seu interior, tornam-se o habitat e ao mesmo tempo lugar preferido para a sua nidificação.
Em relação aos homens, nossa preocupação é com os caçadores de abelhas (meleiros) que sem conhecimento algum sobre as abelhas, destroem os seus ninhos à procura de mel, largando as crias a mercê, principalmente das formigas. Cabe a nós, na pior das hipóteses, dotá-los de algum conhecimento sobre a meliponicultura, tentando assim, minimizar esta situação.
Portanto, os homens são os maiores causadores de danos às abelhas, chegando a provocar a extinção de algumas espécies.
Quanto aos inimigos naturais, propriamente ditos, nós sabemos que no Ecossistema eles existem para manter um certo equilíbrio das espécies, não chegando a prejudicar as abelhas, com ressalva à determinadas situações que se tornam prejudiciais às nossas abelhas.
Especificamente aos meliponicultores aconselhamos tomar cuidado com os seguintes seres: sapos, catengas (largatixas), aranhas, pássaros e formigas.
Sapos: Devemos colocar as colmeias no mínimo a uma altura de 80 centímetros do solo.
Catenga (lagartixa): Usar a criatividade, fazendo armadilhas com fundos de garrafas de plástico de superfície lisa, com pequenos recortes na borda, impedindo que elas alcancem as abelhas.
Aranhas: Limpar manualmente as teias, para que as abelhas não sejam presas quando alçam vôo.
Pássaros: Praticamente não podemos fazer muita coisa, pois o número de abelhas que eles comem é relativamente pequeno.
Formigas: É necessário manter o meliponário sempre bem limpo e higienizado, latas untadas com graxa e emborcadas, espumas com óleo queimado nos cavaletes, já produz uma boa proteção para as abelhas.
Excluindo o comportamento errôneo do homem, devemos tomar o máximo cuidado com o maior inimigo das abelhas, o forídeo ( Pseudohypacera) que são moscas muito pequenas que põem seus ovos na colmeia; a postura é muito rápida e chega a botar cerca de 300.000 ovos, e as larvas dessa mosca desenvolvem-se mais rapidamente que as larvas das abelhas, comendo todo o alimento da larvas levando-as à morte.
O forideo é o único inseto que pode eliminar completamente um meliponário. Esta praga é terrível, não existe controle eficaz.
As medidas são quase sempre preventivas. Vejamos: Evitar abrir potes de pólen ou favos de cria nova. O pólen com seu cheiro característico e já fermentado atrai os forídeos, o que também acontecer com o alimento larval nas crias novas.
Devemos ter muita atenção quando estivermos fazendo captura, transferência ou divisão. O trabalho deve ser feito o mais rápido possível. Em caso de dúvidas devemos descartar os potes de pólen e as células de crias novas devem ser manipuladas com o máximo de cuidado para não serem feridas. Se notar algum forídeo por perto procure vedar a caixa com fita crepe.
Caso encontre uma família atacada, o melhor é queimá-la ou isola-la completamente com um saco plástico.
Em alguns casos, determinadas espécies de abelhas, conseguem sobreviver ao ataque dessas famigeradas moscas. A recuperação das colônias atacadas pode ou não se viabilizar, mas é preciso muito cuidado para não haver contaminação total do meliponário. Com muita paciência e dedicação do meliponicultor poderá ser dada uma ajuda à colmeia atacada.
Como exemplo: Podemos tapar a entrada da caixa e afastá-la o mais longe possível do meliponário, retirar da colmeia todos os potes de pólen e as crias novas, retirar e limpar com um pano limpo todas as larvas de forídeos e em seguida alimentar freqüentemente as abelhas e fazer diariamente um acompanhamento para saber a evolução da família atacada.
Finalizando, sabemos que colmeias fortes e bem alimentadas resistem mais ao ataque de inimigos e pragas.

Alimentação Artificial

Como todo apicultor sabe que, na escassez de alimentos (néctar e pólen), torna-se necessário alimentar as abelhas principalmente no inverno e na época de muita chuva. No caso das abelhas indígenas sem ferrão não é diferente, temos que recorrer à alimentação artificial para a manutenção de uma razoável taxa de construção de células, estimular a postura da rainha e ao mesmo tempo o desenvolvimento das crias.
Podemos oferecer às abelhas esses alimentos de várias maneiras:
a) - XAROPE: O xarope é uma mistura de açucar (cristal) com água fervida. A concentração dessa mistura dependerá da espécie a ser alimentada. Podemos determinar a concentração desse xarope através de um teste muito simples: Prepara-se o xarope em diversas concentrações de açúcar 50% - 60% - 70% - 80%.
Coloca-se o xarope num alimentador feito de uma mangueira transparente (conforme ilustração), e vedado nas duas extremidades com algodão que deverá ser embebido no alimento. Usar de preferência algodão de paina (Chorisia speciosa).
Coloque os quatro alimentadores, um com cada uma das concentrações acima, no interior da colmeia, (na alça) (melgueira) e após meia hora observe qual deles foi mais consumido. Este método é apenas um exemplo, existem vários outros que podem ser adotados. Uma vez selecionada a concentração do xarope, adequado à colônia, passe a utilizá-la quando necessário.
b) - CANDI: O candi é uma pasta cremosa, feita de uma mistura de mel com açúcar na proporção de 2 : 1 e levada ao fogo brando até dar ponto. Após resfriar coloque esta pasta na região dos potes da colônia. Faça esta operação com o máximo de higiene possível para evitar o ataque de predadores e a contaminação do alimento.
Como vimos, o alimento artificial pode ser preparado de várias maneiras. Há meliponicultores que empregam o mel de Apis para alimentar as nativas (indígenas); eu desaconselho, mas não podemos descartar a idéia baseando-se na experiência do Prof. Dr. Kerr, que utiliza o mel de Apis em seu meliponário localizado em Uberlândia -MG.
Pois bem, até agora falamos da alimentação energética, mas como não poderia deixar de ser é preciso falar também sobre a alimentação protéica.
Existem várias formas de se oferecer alimentação artificial a base de proteínas e vitaminas, em substituição ao pólen. Vamos dar alguns exemplos: primeiramente podemos oferecer o próprio pólen da mesma espécie, caso haja em abundância no seu meliponário em famílias fortes; em segundo lugar, como no caso dos energëticos, podemos procurar outras fontes de proteínas que enumeramos a seguir: leite em pó; farinha de soja; Meritene pó (encontra-se nas farmácias)e até mesmo pólen de Apis moído em liqüidificador (pó), colocado em potes vazios da espécie a ser alimentada, em pelo menos 1/3 dos potes, ou em potes feitos com cera de Apis (fechado).
NOTA: Para dar xarope de reforço às colmeias mais fracas, o meliponicultor pode oferecer o xarope, pelo menos, um mês de antecedência as grandes floradas.
ALIMENTADOR:

Este modelo é usados por inúmeros pesquisadores e meliponicultores.
Consiste em uma tampinha de garrafa com palitos de dente dentro para que as abelhas não se afoguem.
Devemos e introduzi-lo na gaveta superior da colmeia. A cada três dias devemos retirá-lo, lavá-lo bem, para daí sim dar novo alimento. Fazemos isso para que o alimentador não crie fungos.

Meliponicultor, a alimentação artificial além de necessária dá excelentes resultados, fato este muito observado e pesquisado. A alimentação deve ser bem dosada, de acordo com a espécie de abelha, e não se deve alimentar uma colônia mais que uma ou duas vezes por mês, para não sobrecarregar o armazenamento do alimento e não provocar sua fermentação. Devemos observar também, que existem espécies que não aceitam alimentação artificial, sendo necessário, recorrer a transferência de alguns potes de alimento de colônia que os tenha em excesso, e que seja da mesma espécie.

Divisão da Colméia

Em meliponicultura, tal qual em apicultura, podemos multiplicar os enxames, através da divisão das colônias, com isto promovendo o seu desenvolvimento.
A divisão da colônia somente deverá ser feita quando a mesma estiver bastante forte, em épocas propícias. A melhor época para a divisão é durante as grandes floradas, principalmente na primavera.
No universo das abelhas indígenas (nativas), principalmente na tribo dos Trigonini, elas constróem, geralmente, células reais na periferia dos favos. Citamos como exemplo: Abelha Jataí, Arapuá, Iraí, Mandaguarí etc. Logicamente sem uma realeira ou uma rainha não há condições de fazermos a divisão. Muitas vezes essas rainhas quando nascem, ficam reclusas em potes modificados chamados de células de aprisionamento cercadas por operárias. Normalmente as realeiras de que falamos medem aproximadamente 5mm de comprimento e 4mm de diâmetro(Células Reais).
Já nas abelhas de porte maior, como a Uruçu, Mandaçaia, Jandaíra, da tribo dos Meliponini elas não constróem realeiras, as rainhas nascem de células iguais as das operárias e vivem livres pela colônia e são facilmente reconhecidas; o que determina este fenômeno são fatores genéticos.
A primeira atenção que devemos ter para com a divisão de uma colônia é a presença ou não de células reais, rainhas virgens (princesas) ou até mesmo com rainhas fecundadas (fisogástricas).
Pois bem, escolhemos um dia quente e claro e com ausência de ventos, que é ideal para verificarmos o ninho.
Iniciamos o processo retirando a cera (invólucro) que envolve o ninho(crias), em seguida, como dissemos anteriormente, observamos se há realeiras ou mais de uma rainha. Se houver realeiras as encontraremos nos favos centrais, teremos alguma dificuldade no início, mas com dedicação e paciência conseguiremos. Encontrando a realeira, devemos retirá-la juntamente com o favo na qual ela se encontra. Em seguida, retiramos mais 4 (quatro) favinhos de cria ( favos claros) colocando-os na caixa definitiva. Não devemos mexer nos favos escuros. Devemos colocar na caixa alguns potes de mel e pólen intactos. Não devemos colocar potes abertos ou com vazamento. Descartar batume ressecados, aproveitar somente o batume em bom estado, tomar cuidado para não ferir os favos escuros e principalmente os potes de pólen para não receber o ataque de Forídeos (mosquitinho rápido) que pode dizimar totalmente as colônias, procurar não derramar mel que poderá afogar as abelhas.
Para concluir: Retiramos o canudo de cera da colmeia (mãe) colocando-o na entrada da nova caixa (filha), em seguida levamos a colmeia(mãe) à uma distância mínima de 50 metros. Como vimos, a nova caixa que ficará no local da caixa (mãe), passará a se chamar caixa(filha), onde se formará nova família com as abelhas esvoaçantes(campeiras) e em poucos dias nascerá a nova rainha e assim teremos uma nova colmeia.
Observação: temos que ter o cuidado de colocar a caixa nova(filha) na mesma altura, direção, posição e local onde se encontrava a colmeia(mãe) para não desnortear as campeiras.
Prática: Colmeia (mãe) mudará de local e ficará com a rainha antiga, favos de crias novas, abelhas aderentes, pólen e mel.
Colmeia (filha) ficará com a rainha nova, ou realeiras, favos de crias nascentes, campeiras, pólen e mel.
Quando da montagem dos favinhos na nova caixa(filha), colocamos entre um e outro, pequenas bolinhas de cera para que as abelhas possam transitar entre os mesmos.
Feito isso, fechamos a caixa (mãe) e vedamos todas as frestas com fita crepe, tapamos a entrada com tela de metal e tranferimos a caixa à distância já mencionada, assim permanecendo por dois dias.
NOTA: Nas colônias da tribo melipinini, não devemos nos preocupar. A simples tranferência de alguns favos maduros (crias nascentes) garante a presença de rainhas virgens na colônia (filha), geralmente uma média de 15%.
PROCESSO DE MULTIPLICAÇÃO COM RAINHA
Entre este processo e o primeiro, existe pouca diferença, se a colmeia ( família) que foi aberta, tiver mais de uma rainha, que é bem possível, capturamos uma delas prendendo-a numa caixa de fósforos vazia, ou em um Bob de cabelo. Tome cuidado de não tocar a rainha com as mãos, use um pedaço de cera.
E seguida transferimos quatro favinhos de cria, alguns potes de mel e pólen (intactos) e parte do batume, tudo para a caixa nova(filha), soltamos a rainha na caixa e transferimos a colmeia (mãe) à 50 metros de distância e mantemos com a caixa o mesmo procedimento do método anterior.
EM TEMPO: Feita a transferência vede ambas as caixas com fita crepe.

Inpeções no meliponário

Começaremos falando sobre as inspeções que devemos fazer periodicamente no meliponário. Deixar as abelhas entregues aos seus próprios cuidados é praticamente impossível de fazer meliponicultura. Um simples fato não verificado poderá acarretar perda total de um enxame, principalmente no que concerne à conservação das colméias que devem estar em bom estado e protegidas do sol e chuva, fatores que interferem no bom andamento do meliponário e na saúde das abelhas.
Um manejo adequado, com observações, e revisões periódicas, nos trará sucesso e satisfação. Essas revisões devem ser feitas em épocas certas e com muito critério e não com muita freqüência. O ideal será fazer revisões quinzenais evitando manter as colméias abertas muito tempo, principalmente em estações muito quente ou muito fria o que ocasionaria a morte das crias.
O que devemos observar na região dos ninhos? Com tempo de duração mínima, devemos observar: 1 - A presença de rainhas virgens (princesas). 2 - A presença de rainha fecundada (fisográstica). 3 - O número de favos e seu diâmetro. 4 - A presença de células reais, isto nos trigoninis. 5 - A presença de células de aprisionamento. 6 - O número de células em construção. 7 - O desgaste alar da rainha.
O que devemos observar na região dos potes? Na região dos potes devemos observar: 1 - O número de potes com mel e vazios. 2 - O número de potes com pólen.
Ainda podemos verificar a existência na colméia de: 1 - Depósitos de própolis. 2 - Depósitos de cera. 3 - Parasitas e outros.
Pois bem, todos esses dados que observamos, deverão ser anotados em uma ficha que futuramente nos dará condições de avaliar a evolução da família e sua potencialidade (vide modelo).
Atenção especial devemos ter com o pasto meliponícola da região, devendo melhorá-lo com a introdução, na área do meliponário, de espécies de plantas que ofereçam néctar e pólen. Na falta destes elementos devemos nos preocupar com a alimentação artificial.
Para facilitar e desenvolver bem o trabalho, devemos numerar as colméias, assim teremos em mãos, uma real situação do nosso meliponário.
Fazem parte do manejo, as revisões das colméias durante o ano, antes e após as floradas; o movimento de entrada e saída das abelhas; observar a presença de inimigos interna e externamente e eliminá-los; fortalecer as famílias fracas; multiplicar os enxames fortes, através de divisões; na época de produção colocar melgueiras; no inverno devemos ter o máximo cuidado com os enxames reduzindo espaços para melhorar o aquecimento; colocar alimentador, fornecendo alimento para fortalecer e desenvolver as famílias.
MODELO DE FICHA PARA REVISÃO
MELIPONÁRIO:

DATA DA REVISÃO:
RESPONSAVEL:


DADOS OBSERVADOS NA REVISÃO:
COLMEIA NÚMERO:


Diâmetro dos favos

Número de favos

Presença de rainha fecundada

Presença de rainha virgem

Presença de células reais

Presença de células de aprisionamento

Número de células em construção

Número de potes de mel

Número de potes de pólen

Número de potes vazios

Existência de depósitos de própolis

Existência de depósito de cera

Existência de parasitas

Desgaste alar da rainha

Ataque de Forídeos

Outros

Montando as colméias

Inicialmente devemos transferir para a colméia racional ( caixa), os favos de cria onde provavelmente estará a rainha.
Devemos transferir com muito cuidado para não amassá-los, evitando também, alterar a sua posição, não os colocando de cabeça para baixo. Têm acontecido alguns acidentes com iniciantes em meliponicultura, porque colocam durante a transferência, os favos em posição vertical, amassando-os e comprimindo-os uns contra os outros, impedindo a circulação das operárias e ao mesmo tempo esmagando-as e causando acidente, também, com a rainha.
Quando da transferência, não devemos expor a cria e nem separar os favos uns dos outros e, nem procurar a rainha por mera curiosidade, porque sabemos de antemão, que ela se encontra entre os favos de cria.
Na manipulação dos favos, durante a transferência, devemos observar a relação entre o diâmetro do oco onde o ninho se encontra e dos favos de cria. Alguns ninhos apresentam inúmeros favos de pequeno diâmetro que precisam ser separados para ocuparem o espaço destinado `a cria na colméia. Nesta oportunidade devemos ter o máximo de cuidado para não ferir a rainha. Se conseguirmos transferir o ninho inteiro bem melhor, mas se for necessário a manipulação dos favos, faça-a nos mais velhos, com pupas, favos claros, que são reconhecidos pela parede mais fina, mostrando o contorno das células bem delineadas, tendo na parte inferior uma coloração escura, expondo aí os excrementos. Quase sempre, durante a transferência, observamos os olhos compostos das pupas e a cabeça em movimento.
Verificado o tamanho do ninho e dos favos devemos optar por um tipo de caixa mais adequada com o material que temos em mão, ou seja, um tipo que acomode bem o ninho.
No caso de se usar o modelo PNN ( Paulo Nogueira Neto) não devemos colocar gavetas indiscriminadamente; quando encontramos um ninho generoso, com um grande número de favos de tamanho grande, temos aí condições de fazermos uma divisão da colônia em duas famílias. Se encontrarmos alguns depósitos de própolis na colônia devemos transferi-los para a nova (caixa) colmeia, colocando-os nas proximidades da entrada da colmeia e ao lado das crias para que as abelhas possam utilizá-los de várias formas.
Terminando a transferência devemos fechar a colmeia logo em seguida para que as abelhas recém nascidas não saiam da caixa e do ninho e se percam. Devemos efetuar esta operação com bastante rapidez para que as crias não se resfriem e nem se desidratem com a temperatura ambiente.
Continuando a transferência, vamos agora passar para a nova colmeia os potes de mel e pólen; antes porém, devemos recolher as abelhas jovens com uma pena, cartolina ou, com o aspirador de insetos, colocando-as sobre os favos.
Só devemos transferir para a colmeia os potes de alimento fechados e intactos. Deve-se retirar o conteúdo daqueles que estiverem abertos. O mel excedente ou os potes danificados serão recolhidos em um recipiente, antes porém peneirado com uma peneira bem fina.
O mel poderá ser devolvido à colmeia num alimentador misturado com água, ou ser consumido. Potes pequenos de mel, como por exemplo os das abelhas Jataí, podem ser expremidos para a extração do mel, em seguida o cerume deve ser amassado, lavado, seco e devolvido para a colmeia; o cerume seco, velho e quebradiço não será aproveitado.
Quanto ao pólen devemos retirá-lo e armazená-lo em geladeira e à medida das necessidades vamos devolvendo às abelhas em pequenas quantidades.

MELIPONICULTURA (CRIAÇÃO DE ABELHAS SEM FERRÃO)

CAPTURA E POVOAÇÃO DO MELIPONÁRIO
As abelhas escolhidas para a povoação do meliponário dependerão da finalidade que se deseja, ou seja, lazer, ornamentação, pesquisa ou fins comerciais. Deverão ter preferência as espécies existentes na sua região.
Se a finalidade for a produção de mel, o meliponicultor deverá optar por uma só espécie que seja abundante na região, conseguindo, com isso, uma quantidade grande de enxames e mais rapidez na montagem do meliponário.
Fazendo isso, o meliponicultor conseguirá obter um mel padronizado, que atenderá um mercado específico e exigente.
Escolhida a espécie a ser criada, o povoamento do meliponário será feito transferindo ninhos naturais para colméias (caixas) racionais, divisão de colônias, ou captura com caixas isca. Quanto a captura de ninhos encontrados, só devem ser feitos em caso de demolições de muros, paredes, casas velhas, queimadas e desmatamento, sempre pensando na preservação das espécies.
Para a transferência de ninhos necessitamos dos seguintes materiais: formão apícola; aspirador de insetos; faca; peneira de malha fina e um recipiente para colher o mel e o pólen.
Como devemos proceder com ninhos alojados em cavidades, frestas de pedras e ocos de árvores?
Devemos localizar a entrada do ninho, medir 30cm acima e 30cm abaixo. Comece a abrir com muito cuidado nestes locais usando uma serra, machado, formão, facão, talhadeira ou ponteiro, etc. Feita a remoção da parede lateral do ninho observe com muita atenção a sua arquitetura.
Os favos de cria poderão ser horizontais, helicoidais (em forma de caracol), em forma de discos e em forma de cachos, dependendo da espécie, ao contrário da Apis que constroem os favos verticalmente. Em algumas espécies existe um invólucro de cerume envolvendo a cria. Outra curiosidade é que o mel e o pólen são armazenados em potinhos e também encontramos própolis e detritos nas colônias, sem contar com a presença de ácaros e outros insetos vivendo em simbiose (associação).

NINHO
Como dissemos anteriormente, as abelhas sem ferrão têm uma maneira de construir seus ninhos completamente diferentes da abelha do mel (Apis mellifera). É maravilhosa a formação do ninho e o desenvolvimento de suas crias.
Consiste em uma seqüência condensada; a construção das células de cria; aprovisionamento; colocação do ovo e fechamento. Observamos então que as células de cria são preparadas em quatro fases: 1- fase de construção; 2- fase de colar (pronta); 3- aprovisionamento e com ovo; 4- fechada. Este processo também ocorre com as abelhas solitárias.
Nas abelhas indígenas sem ferrão, também existe um desenvolvimento social elevado que permite, de acordo com a idade, e cada qual com a sua função a formação e evolução da família. Dentro da célula o ovo se desenvolve em larva que após ter ingerido o alimento larval (mel e pólen), se transforma em pupa. Esse processo de alimentação é denominado de alimentação maciça, ao contrário das abelhas Apis e da Bombus (mamangava), onde as células permanecem abertas e as operárias oferecem com freqüência pequenas quantidades de alimento.
Nas abelhas indígenas sem ferrão não existe o contato entre a população adulta e as larvas em desenvolvimento.

MEMBROS DA COLÔNIA
Numa família de abelhas sem ferrão encontramos uma sociedade bem desenvolvida, as colônias possuem uma rainha, várias gerações de operárias, cada qual auxiliando em várias tarefas e cuidando da prole. Operárias: Uma operária é facilmente reconhecida pela presença de aparelho coletor de pólen, a corbícula, localizada no terceiro par de patas. As operárias ao nascer são quase brancas, mas à medida que vão envelhecendo adquirem uma pigmentação de acordo com sua espécie.
Elas realizam todo o trabalho na colônia, de acordo com a idade, como na Apis mellifera, a média de vida das operárias em Meliponíneos é de 30 a 40 dias. Existem algumas espécies que durante o inverno param as suas atividades e, em conseqüência o período de vida é maior. Elas praticamente hibernam, é o caso das abelhas do gênero Plebéias (mirim).
Macho: O macho é facilmente reconhecido por ter a cabeça mais arredondada do que a das operárias, não tem corbícula, não coletam néctar nas flores, o abdômen difere da operária por possuir dois gonóstilos visíveis a olho nu, peças da genitália que servem para segurar as fêmeas durante a cópula. Observando bem veremos que a postura do macho é de estar sempre alerta com as antenas esticadas, costumam também ficar em grupos à espera da princesa para fecundá-la, pode também apresentar desenhos na cabeça diferente das operárias e da rainha. Na falta, ou escassez de alimentos na colônia, ou logo após a fecundação da rainha, eles podem ser mortos pelas operárias. Uma outra atividade dos machos que foi observada é que eles desidratam o néctar trazido pelas operárias para seu próprio sustento.
Na presença de rainhas virgens ns colméia formam-se grandes quantidades de machos ao seu redor na espera da sua saída para fecundá-la durante o vôo nupcial.
O aparecimento dos machos na colônia geralmente acontece na época em que há abundância de alimento, células reais e antes do inverno ou da estação chuvosa.

Rainha: As rainhas na tribo Meliponini nascem em células iguais a das operárias, a rainha recém nascida deste gênero é do mesmo tamanho que as operárias, pois não há células reais (realeiras), a diferenciação de castas tem base genética, o tamanho do corpo da rainha em relação às operárias tem proporções diferentes. Quando é fecundado o abdômen cresce muito, elas não conseguem mais voar. Já as rainhas das tribos Trogonini e Sestrimellitini, nascem em células reais geralmente construídas nas periferias dos favos; essas rainhas que eclodem de células reais são bem maiores que as operárias. A função da rainha na colméia é a postura, a fim de perpetuar a espécie e manter a união da família através do feromônio. Ao nascerem apresentam certa atratividade e as operárias a seguem onde elas forem. Constrói geralmente em torno da rainha uma célula de aprisionamento feita de cerume onde a rainha jovem fica sozinha ou acompanhada por algumas operárias esperando por uma decisão: ou substituir a rainha fecundada da colméia se esta morrer, ou se estiver doente ou, sair para formar um novo ninho com as operárias, pelo processo da enxameagem ou, ser morta pelas operárias.